terça-feira, 25 de junho de 2013

Seleção do Taiti conquista público, mas prova que ainda existe bobo no futebol

Ultimamente, quando os jogadores querem justificar um jogo ruim, mesmo quando do outro lado estava uma equipe fraca, utilizam a frase “não existe mais bobo no futebol”. Com isso, querem dizer que não existem mais equipes taticamente inocentes. Mesmo que não tenham técnica apurada ou um esquema ofensivo, aprendem, pelo menos, a se defenderem, dificultando as jogadas ofensivas do adversário. O Taiti, entretanto, provou que toda regra tem exceção. 
Formada por jogadores amadores (apenas um jogador da equipe é profissional), a seleção do Taiti conquistou o direito de participar da Copa das Confederações após vencer seus também fracos adversários da Oceania. A equipe mais forte de lá era a Austrália. Porém, como o campeão da Oceania não conquistava uma vaga direto para a Copa do Mundo, tendo que disputar uma repescagem contra o quinto colocado da América do 
Sul, a seleção australiana, desafiando todas as leis da geografia e da física, mas aceitas pela FIFA, mudou-se para a Ásia, continente que dá vagas diretas para a Copa do Mundo. A seleção mais forte do continente passou a ser a Nova Zelândia, famosa por sua seleção de rugby, mas com um futebol ainda muito deficiente. A seleção do Taiti entrou na disputa como “zebra”, mesmo enfrentando seleções quase tão fracas quanto ela. Contudo, venceu seus jogos e, beneficiada pela surpreendente derrota da Nova Zelândia para a seleção da Nova Caledônia, acabou ficando com a vaga. Algo parecido com, na América do Sul, a seleção da Bolívia ou Venezuela eliminar Brasil e Argentina, vencendo as eliminatórias. 
E o Taiti, sabedor de suas limitações, veio para a Copa das Confederações sabendo que seria o saco de pancadas das outras seleções. Perdeu para a seleção da Nigéria – que não é nenhuma potência – por 6X1; foi um treino de luxo para os reservas da Espanha, levando um sonoro 10X0; e apanhou igualmente da quase reserva seleção uruguaia por 8X0. O Taiti sofreu 24 gols e marcou apenas 1, ficando com um saldo negativo de 23. 
A seu favor, os taitianos não dão pancada. Mesmo perdendo por goleada, não começaram a fazer faltas violentas. Pelo menos, não se pode dizer que não tiveram fair play. Talvez tenham tido fair play até demais. O time é muito ingênuo; a defesa joga em linha, sem sobra. Se jogasse a Série B do Campeonato Brasileiro, o Taiti seria um sério candidato ao rebaixamento.
Aliás, esta Copa das Confederações foi a copa das equipes fracas. O México veio com um timeco que contradiz o desenvolvimento apresentado nos últimos anos; o Japão estava um “caco” depois de longas viagens, após jogar pelas eliminatórias asiáticas; o Uruguai vai mal das pernas nas eliminatórias sulamericanas, não sendo nem sombra da seleção que brilhou no Mundial de 2010; a Nigéria não lembra em nada as seleções que brilharam em Olimpíadas, eliminando até mesmo o Brasil; e o Taiti... bem, se jogasse um amistoso contra a equipe do Bangu, o Taiti perderia. 
Equipes que mostraram algum futebol, só mesmo Espanha, Brasil e Itália. 
A Espanha, visivelmente, jogou para o gasto. Fez o suficiente para vencer, se poupando em virtude do forte calor e do cansaço de final de temporada europeia. A Itália veio com um time em reconstrução, assim como o do Brasil. Porém, é um time muito dependente do talento de Pirlo e da força física de Balottelli. A zaga, quando exigida, mostrou falhas. Foi assim contra Japão e Brasil. A seleção brasileira parece que encontrou um time, mas não o esquema de jogo. Hulk e Neymar ficam muito fixos nas pontas, sem movimentação, e Oscar, que também gosta de cair pelas pontas, fica preso no meio, sem saber bem o que fazer. Fred é um centroavante matador, mas só “mata” quando a bola chega nele, e, com ele jogando fixo, isso nem sempre acontece. O meio de campo do Brasil não cria, e então a equipe fica dependendo dos laterais para ter uma saída de bola. Porém, isso expõe a defesa, como aconteceu contra a Itália. Felipão levou Jadson, do São Paulo, que seria esse homem de criação, mas não o testou uma única vez. Prefere povoar o meio de campo com volantes que não saiam para o jogo. O time, então, vive à base de chutões da defesa para o ataque, para ver o que acontece. 
Agora, no mata-mata, tudo pode acontecer. Dos quatro semifinalistas, o Uruguai é o mais fraco, mas não pode ser desprezado. Itália e Espanha pode ser um jogão, mas se a Espanha se esforçar um pouco mais, ganha com certa facilidade. A final tem tudo para ser Brasil X Espanha.
E o Taiti? Conquistou o público brasileiro, que torceu para os fracos e oprimidos. Simpaticamente, os taitianos agradeceram o apoio da torcida após o jogo contra o Uruguai. Mas foi só. Em termos de futebol, ver o Taiti jogar foi o mesmo que assistir a um jogo de casados contra solteiros em uma quinta-feira à noite. Na próxima Copa das Confederações, pior do que isso, só se vier a seleção da Papua-Nova Guiné. 



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