domingo, 24 de março de 2013

Quero ser grande!


O Vasco da Gama começou o Campeonato Carioca desacreditado. Terminou o ano de 2012 perdendo seus melhores jogadores, os quais saíram devido aos salários atrasados; sem dinheiro para contratar, não pôde fazer frente aos grandes clubes, que contrataram os melhores jogadores, deixando para o Vasco os jogadores que os clubes não pretendiam utilizar, mas que ainda estavam sob contrato; enquanto Botafogo, Fluminense e até mesmo o Flamengo mantiveram sua base, o Vasco perdeu a maioria dos seus jogadores, iniciando a pré-temporada com vários jogadores novos e sem entrosamento uns com os outros. Todos os comentaristas eram unânimes em afirmar que o Vasco era a quarta força do futebol carioca, atrás de, respectivamente, Fluminense, Botafogo e Flamengo.
Porém, na Taça Guanabara o Vasco surpreendeu. Começou o campeonato fazendo muitos gols: 3X0 no Boavista, 4X2 no Macaé e 4X2 no Resende. Marcou 11 gols e sofreu 4, enquanto Botafogo e Flamengo marcaram 4 gols e sofreram 1, e o Fluminense marcou 6 e sofreu 2. o Vasco tinha, disparado, o ataque mais positivo, embora também tivesse a defesa mais vazada.
Então, o Vasco perdeu o clássico contra o Flamengo por 4X2. Até aí, tudo bem! Como diria o outro, “clássico é clássico e vice-versa”. Entretanto, o time perdeu por 1X0 para o Bangu. Depois, empate contra o Fluminense: 1X1. Três jogos sem vencer. Parecia que o time estava mostrando o seu verdadeiro lado após algumas goleadas enganosas. Porém, o Botafogo bobeou e o Vasco terminou a Taça Guanabara em primeiro lugar no Grupo A. Permaneceu como o ataque mais positivo e a defesa mais vazada.
A semifinal contra o Fluminense parecia jogo de cartas marcadas. O atual campeão brasileiro era, disparado, o favorito para chegar às finais. Contudo, em um jogo chato no primeiro tempo e movimentado no segundo, o Vasco, que jogava por um empate, derrotou o Fluminense por 3X2 e garantiu vaga na final, enfrentando o Botafogo. Na final, entretanto, o verdadeiro Vasco apareceu. Amedrontado e incompetente, o Vasco foi dominado pelo Botafogo e perdeu o jogo por 1X0.
Porém, perder o título para o Botafogo não era algo não terrível assim. Para quem era considerado o quarto time do Estadual, ser vice-campeão da Taça Guanabara já era um grande feito.
Contudo, como alegria de pobre dura pouco, veio a Taça Rio. O Vasco estreou contra o Volta Redonda, em São Januário. Resultado: Vasco 0X1 Volta Redonda. O Vasco até criou algumas chances, mas não conseguiu marcar. Veio o segundo jogo, em Volta Redonda. Resultado: Nova Iguaçu 2X0 Vasco. Nos três últimos jogos, o Vasco sofreu três derrotas, levou 4 gols e não marcou nenhum. O técnico Gaúcho, que já vinha sendo questionado pela torcida, caiu. Em seguida, foi anunciada a saída de Ricardo Gomes.
Gaúcho não estava preparado para assumir uma equipe como o Vasco. Como interino, o que já fizera antes, dava conta do recado. Como técnico principal, se perdia ao armar o esquema tático e em algumas substituições. Porém, Gaúcho foi o menos culpado pelos péssimos resultados do Vasco. O time é fraco; é extremamente dependente dos arroubos de Carlos Alberto e das arrancadas de Éder Luís, ambos inconstantes; o zagueiro Dedé, desde que voltou de contusão, ainda não teve uma boa atuação. O único que tem se salvado é o goleiro Alessandro, mesmo com a responsabilidade de substituir Fernando Prass.
O Vasco procura se reestruturar para tentar algo no Carioca. Nessa tentativa, contratou Paulo Autuori. Porém, Autuori deve continuar tendo os mesmos problemas enfrentados pelo ex-técnico Gaúcho. Sem banco, quando o time titular não resolve, o técnico fica sem opções.
No Carioca, o destino do Vasco parece ser o de coadjuvante. E, se não conseguir se reforçar (e pagar os salários dos seus reforços), fará um papelão na Copa do Brasil e correrá risco de rebaixamento no Brasileiro.
Terminada a 2ª rodada, o time é o último colocado do Grupo A, sem nenhum ponto, enquanto Botafogo e Volta Redonda lideram com seis pontos.
Por sinal, nesta 2ª rodada, dos grandes só o Botafogo venceu. Flamengo e Fluminense empataram, enquanto o Vasco perdeu. O Botafogo derrotou o Madureira que, na Taça Guanabara, havia empatado com Flamengo e Fluminense, por 1X1 e 2X2, respectivamente.     
Há muito tempo sem conquistar o estadual, cheio de dívidas e tendo que conviver com um elenco limitado e uma diretoria duvidosa (exceção feita a René Simões), o Vasco ainda sonha em voltar aos seus tempos de glórias. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Na 1ª rodada da Taça Rio, treino de luxo no Engenhão e grandes passam sufoco


A 1ª rodada da Taça Rio começou com algumas surpresas.
O Flamengo, time com melhor campanha na Taça Guanabara, estreou perdendo para o Resende por 3x2, de virada, após terminar o primeiro tempo vencendo por 2x0, dando a impressão de que venceria sem muitas dificuldades. Acabou perdendo também o seu técnico: com a desculpa de que o treinador era caro demais e que não aceitou reduzir o salário, a diretoria demitiu Dorival Júnior. Na realidade, Dorival não era a melhor opção para a nova diretoria que, após a perda da Taça Guanabara, só estava esperando por uma desculpa para demiti-lo. Jorginho, ex-jogador do clube, está cotado para assumir o cargo.
O Vasco, vice-campeão (de novo!!!) da Taça Guanabara, estreou perdendo em casa para o Volta Redonda: 1x0. O técnico Gaúcho voltou a ser questionado pela torcida, que pede a sua saída. Já se fala até em Dorival Júnior em São Januário. Éder Luís, também bastante questionado pela torcida, já fala que se tiver que sair, sairá feliz.
Já o Fluminense venceu, mas não convenceu. Conseguiu um magro 1x0 contra a equipe do Audax Rio, time que terminou a Taça Guanabara em 5° lugar no Grupo B. Diego Cavalieri foi novamente importante, evitando que o Audax Rio fizesse gols na frágil defesa tricolor. Fred, apagado, perdeu algumas chances de gol, enquanto Nem foi decisivo, marcando o gol da vitória.
No Sábado, o Botafogo, campeão da Taça Guanabara, estreou na Taça Rio jogando contra o Quissamã. Acabou fazendo um treino de luxo no Engenhão, com direito até a uma boa atuação de Rafael Marques: o atacante deu passe para dois gols do Fogão e também desencantou, marcando o quarto gol da equipe. Final: 4x0. O time fez valer o discurso do final da Taça Guanabara, quando os jogadores disseram que pretendiam manter a pegada para vencer também a Taça Rio e conquistar o título carioca direto, sem necessidade de uma final.
O Botafogo possui hoje o ataque mais positivo do campeonato, com 21 gols (contando a semifinal e a final da Taça Guanabara, são 24); a segunda defesa menos vazada, com 7 gols sofridos – atrás apenas da do Flamengo, com 6 –; e o melhor saldo de gols, 14 (17, contando a semifinal e a final). Na Taça Rio, lidera o Grupo A, pelo saldo de gols, à frente do Friburguense, enquanto o Vasco é o 5° colocado. No Grupo B, os líderes são Resende e Macaé, pelos gols marcados. O Fluminense vem em terceiro e o Flamengo é o 7°, juntamente com o Audax Rio.
O próximo adversário do Botafogo é o Madureira, que estreou na Taça Rio perdendo para o Olaria por 1x0.  

sexta-feira, 15 de março de 2013

A “estatização” das torcidas organizadas


No programa Bate-Bola, do canal ESPN, da última quarta-feira, o diretor do departamento de defesa do torcedor do Ministério do Esporte, Paulo Castilho, em primeira mão, informou sobre uma proposta que está sendo analisada e que pode ter o Palmeiras como clube piloto para testar esta ideia: o clube formará uma torcida, subsidiada por ele com transportes, ingressos etc., a qual terá uma espécie de supervisor para cada cem torcedores. Esta torcida teria os seus membros cadastrados e, para torcer, teriam que usar o escudo do clube e cantar músicas autorizadas pelo mesmo. Esta ideia, segundo Paulo Castilho, teria o propósito de acabar com as torcidas organizadas, já que não utilizariam marcas próprias e nem cantariam músicas agressivas, que poderiam incitar a violência. O jornalista Lúcio de Castro, que participava do debate, mostrou-se totalmente contrário a esta ideia, e eu concordo plenamente com ele.
A ingenuidade desta proposta, partindo de alguém que parece bem intencionado, como é o caso de Paulo Castilho, é de assustar. Na verdade, o que se pretende fazer é, apenas, institucionalizar as torcidas organizadas, em vez de se acabar com elas. Na prática, a coisa ficaria mais ou menos do jeito que está, já que os clubes iriam subsidiar estes torcedores, o que já vem sendo feito atualmente por vários grandes clubes brasileiros. Os torcedores irão se transformar em uma espécie de funcionários do clube, torcendo de uma maneira mecanizada, autorizada e orientada pelos clubes.
As Leis brasileiras permitem que torcedores – assim como qualquer outro cidadão – se associem e formem organizações formais para torcerem por seus clubes. Todavia, esta mesma Lei tem o poder de intervir e encerrar as atividades destas organizações caso estas ajam de maneira contrária às leis vigentes no país, ou seja, comercializem ou distribuam drogas, depredem o patrimônio público e/ou privado, utilizem-se de violência antes, durante ou depois dos jogos, etc. Inclusive, as torcidas paulistas Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde tiveram que encerrar suas atividades por conta dos vários tumultos nos quais se envolveram. Entretanto, continuam ativas e comparecendo aos estádios.
Colocar as torcidas organizadas sob a tutela dos clubes seria como se a Polícia Militar colocasse sob a sua tutela pessoas pertencentes a grupos de extermínio, com a pretensão de controlar estas pessoas para que os extermínios acabassem. O que aconteceria, de fato, é que os extermínios continuariam, só que agora com o amparo da Lei, já que estas pessoas continuariam matando, mas teriam a desculpa de que o criminoso reagiu à sua voz de prisão. Colocar torcedores sob a proteção dos clubes não poria fim às brigas. Quando duas torcidas se enfrentassem, uma colocaria a culpa na outra, alegando que apenas se defendeu de uma agressão. Sem contar que, na torcida organizada pelo Corinthians, por exemplo, estariam diversos membros da Gaviões da Fiel, e na organizada pelo Palmeiras, estariam diversos membros da Mancha Alviverde. Seriam, praticamente, as mesmas torcidas, apenas com um nome diferente – o que já ocorre atualmente – e um aspecto mais “legal”, do ponto de vista jurídico.     
A institucionalização das torcidas organizadas, pelos clubes, vai manter o status quo atual, que tem sido tão nocivo ao futebol. Os dirigentes continuarão reféns destes grupos de torcedores, bem como os utilizarão para fins políticos e eleitoreiros.
O que precisa ser feito é punir, de maneira rigorosa, pessoas que se envolvam em atos de violência, quer causem ou não mortes. Há poucos dias, um torcedor do São Paulo foi apanhado portando um sinalizador, do tipo que vitimou o garoto boliviano no jogo do Corinthians. Este torcedor deverá se manter afastado dos estádios durante noventa dias. Terminado este prazo, ele voltará a frequentar os estádios e, quem sabe, levará outro sinalizador. Se a punição fosse mais severa, afastando-o por, pelo menos, dois anos, ele e outros torcedores que costumam frequentar os estádios pensariam duas vezes antes de cometer alguma infração.
Institucionalizar as torcidas organizadas não é a solução para o problema atual. A “solução” apontada por Paulo Castilho dá a impressão de que as torcidas passarão a ser controladas pelos clubes, evitando que se metam em confusões. Entretanto, esse controle é ilusório. Esse tipo de torcida talvez passe a ter mais força até mesmo do que as organizadas atuais, pois estarão mais intimamente ligadas a seus respectivos clubes, chanceladas pelas suas diretorias.
Torcer é um ato de paixão. O torcedor não pode ser visto como um funcionário do clube, contratado para torcer por ele. O que precisa ser feito é criar um sistema que obrigue o torcedor a torcer com responsabilidade e civilidade, afastando dos estádios aqueles que se recusarem a isto.                     

terça-feira, 12 de março de 2013

A conquista da Taça Guanabara


O Botafogo conquistou, no último domingo, a Taça Guanabara de 2013. O título, entretanto, representa muito mais do que apenas a conquista do primeiro turno e a consequente vaga na decisão do campeonato.
Algumas coisas têm de ser analisadas. A primeira delas é o trabalho do técnico Oswaldo de Oliveira, tão questionado desde o ano passado. Uma das coisas que se questiona é o fato de ele colocar apenas um atacante. Quem questiona isso deve estar, ainda, na década de 70, quando era usual atuar com três atacantes (um ponta-direita, um ponta-esquerda e um centroavante fixo na área). Essas pessoas devem achar que basta número para decidir um jogo. Assim, quanto mais atacantes eu colocar, mais tenho chance de fazer gol. Na verdade, a quantidade de “atacantes” de ofício não é importante para uma equipe ser ofensiva, e sim com quantos jogadores ela chega ao ataque (basta analisarmos a equipe do Barcelona, que é uma das melhores do mundo e, normalmente, atua sem nenhum atacante de ofício). Se analisarmos o gol do Botafogo contra o Vasco veremos que, além dos três meias (Seedorf, Lodeiro e Vitinho), o Botafogo ainda tinha, no ataque, Fellype Gabriel (que estava atuando como volante, naquele momento), o atacante Bruno Mendes, o zagueiro Bolívar e os laterais Lucas e Júlio César. Oito jogadores. Só não estavam no ataque o zagueiro Dória, o volante Gabriel e o goleiro Jefferson. O que é melhor: atacar com apenas dois atacantes de ofício ou ter oito jogadores pressionando o adversário? A prova de que o Botafogo tem utilizado vários jogadores no ataque é que, contra Flamengo e Vasco, os dois laterais (Júlio César e Lucas, respectivamente) marcaram gols. O zagueiro Bolívar tem três gols no campeonato e foi dele o passe para o gol de Lucas, contra o Vasco. O time tem jogado de forma ofensiva, mas nem sempre irá golear.
Rafael Marques é outro ponto de questionamento. Na verdade, o que incomoda é o fato de ele ser um atacante e ainda não ter marcado nenhum gol. Porém, não podemos esquecer que, contra o Flamengo, Rafael Marques teve uma boa atuação, inclusive dando passes para armar contra-ataques. Contudo, um jogador que atuou por dez anos fora do Brasil, nem sempre tem uma adaptação tão rápida. Oswaldo conhece o potencial desse jogador acompanhando-o enquanto ele atuava no Japão. E Oswaldo não seria burro para insistir com um jogador sem qualidade nenhuma, que só iria prejudicá-lo.
Outra coisa importante é que um time não se forma da noite para o dia. Temos visto exemplos de times que se tornaram vencedores após um período de trabalho, com o técnico tendo tempo para implantar seu esquema de jogo. Basta lembrarmos do técnico Tite, do Corinthians. Quando o time foi eliminado da pré-Libertadores, grande parte da torcida corintiana pediu a demissão de Tite. A diretoria do Corinthians, indo contra a vontade de boa parte de seus torcedores, decidiu manter o técnico para que ele desse continuidade ao trabalho. Resultado: o Corinthians foi campeão Brasileiro, campeão da Libertadores e campeão Mundial.
Se analisarmos o passado recente do Botafogo, veremos um time que entrava no Brasileiro brigando apenas para não cair. Nos últimos anos, a equipe tem ficado sempre entre os dez primeiros, tem brigado por vaga na Libertadores e, até mesmo, pelo título. A diretoria, este ano, contratou jogadores para que o time tenha reservas para todas as posições (ano passado só tínhamos três zagueiros e um lateral para cada lado). Além da qualidade, o time tem investido em quantidade para ter um elenco completo, sem necessidade de improvisações. O resto (ou seja, títulos) só virá com trabalho.
É difícil, mas a torcida deve ter paciência e apoiar o time (coisa que, convenhamos, ela não tem feito). A torcida do Botafogo, geralmente, só comparece quando o time chega à final (vimos isso no jogo contra o Vasco), mas não apoia o time, durante as competições, para que ele consiga chegar lá. E, se observarmos o que vem acontecendo nos últimos anos, veremos que todos os times que se tornaram vencedores só conseguiram isso porque tiveram o apoio de suas respectivas torcidas.
Acho que Oswaldo merece uma chance de mostrar seu trabalho, trabalhando sem as costumeiras pressões dos últimos tempos. O time não irá colecionar títulos da noite para o dia. Porém, se um trabalho não for iniciado agora, continuaremos a amargar um jejum de títulos e uma falta de projeção no cenário nacional. O time tem tudo para dar certo, mas, para que isso ocorra, é preciso trabalho, tranquilidade e apoio da torcida.
A Taça Guanabara poderá ser o primeiro de vários títulos nos próximos anos.