terça-feira, 12 de março de 2013

A conquista da Taça Guanabara


O Botafogo conquistou, no último domingo, a Taça Guanabara de 2013. O título, entretanto, representa muito mais do que apenas a conquista do primeiro turno e a consequente vaga na decisão do campeonato.
Algumas coisas têm de ser analisadas. A primeira delas é o trabalho do técnico Oswaldo de Oliveira, tão questionado desde o ano passado. Uma das coisas que se questiona é o fato de ele colocar apenas um atacante. Quem questiona isso deve estar, ainda, na década de 70, quando era usual atuar com três atacantes (um ponta-direita, um ponta-esquerda e um centroavante fixo na área). Essas pessoas devem achar que basta número para decidir um jogo. Assim, quanto mais atacantes eu colocar, mais tenho chance de fazer gol. Na verdade, a quantidade de “atacantes” de ofício não é importante para uma equipe ser ofensiva, e sim com quantos jogadores ela chega ao ataque (basta analisarmos a equipe do Barcelona, que é uma das melhores do mundo e, normalmente, atua sem nenhum atacante de ofício). Se analisarmos o gol do Botafogo contra o Vasco veremos que, além dos três meias (Seedorf, Lodeiro e Vitinho), o Botafogo ainda tinha, no ataque, Fellype Gabriel (que estava atuando como volante, naquele momento), o atacante Bruno Mendes, o zagueiro Bolívar e os laterais Lucas e Júlio César. Oito jogadores. Só não estavam no ataque o zagueiro Dória, o volante Gabriel e o goleiro Jefferson. O que é melhor: atacar com apenas dois atacantes de ofício ou ter oito jogadores pressionando o adversário? A prova de que o Botafogo tem utilizado vários jogadores no ataque é que, contra Flamengo e Vasco, os dois laterais (Júlio César e Lucas, respectivamente) marcaram gols. O zagueiro Bolívar tem três gols no campeonato e foi dele o passe para o gol de Lucas, contra o Vasco. O time tem jogado de forma ofensiva, mas nem sempre irá golear.
Rafael Marques é outro ponto de questionamento. Na verdade, o que incomoda é o fato de ele ser um atacante e ainda não ter marcado nenhum gol. Porém, não podemos esquecer que, contra o Flamengo, Rafael Marques teve uma boa atuação, inclusive dando passes para armar contra-ataques. Contudo, um jogador que atuou por dez anos fora do Brasil, nem sempre tem uma adaptação tão rápida. Oswaldo conhece o potencial desse jogador acompanhando-o enquanto ele atuava no Japão. E Oswaldo não seria burro para insistir com um jogador sem qualidade nenhuma, que só iria prejudicá-lo.
Outra coisa importante é que um time não se forma da noite para o dia. Temos visto exemplos de times que se tornaram vencedores após um período de trabalho, com o técnico tendo tempo para implantar seu esquema de jogo. Basta lembrarmos do técnico Tite, do Corinthians. Quando o time foi eliminado da pré-Libertadores, grande parte da torcida corintiana pediu a demissão de Tite. A diretoria do Corinthians, indo contra a vontade de boa parte de seus torcedores, decidiu manter o técnico para que ele desse continuidade ao trabalho. Resultado: o Corinthians foi campeão Brasileiro, campeão da Libertadores e campeão Mundial.
Se analisarmos o passado recente do Botafogo, veremos um time que entrava no Brasileiro brigando apenas para não cair. Nos últimos anos, a equipe tem ficado sempre entre os dez primeiros, tem brigado por vaga na Libertadores e, até mesmo, pelo título. A diretoria, este ano, contratou jogadores para que o time tenha reservas para todas as posições (ano passado só tínhamos três zagueiros e um lateral para cada lado). Além da qualidade, o time tem investido em quantidade para ter um elenco completo, sem necessidade de improvisações. O resto (ou seja, títulos) só virá com trabalho.
É difícil, mas a torcida deve ter paciência e apoiar o time (coisa que, convenhamos, ela não tem feito). A torcida do Botafogo, geralmente, só comparece quando o time chega à final (vimos isso no jogo contra o Vasco), mas não apoia o time, durante as competições, para que ele consiga chegar lá. E, se observarmos o que vem acontecendo nos últimos anos, veremos que todos os times que se tornaram vencedores só conseguiram isso porque tiveram o apoio de suas respectivas torcidas.
Acho que Oswaldo merece uma chance de mostrar seu trabalho, trabalhando sem as costumeiras pressões dos últimos tempos. O time não irá colecionar títulos da noite para o dia. Porém, se um trabalho não for iniciado agora, continuaremos a amargar um jejum de títulos e uma falta de projeção no cenário nacional. O time tem tudo para dar certo, mas, para que isso ocorra, é preciso trabalho, tranquilidade e apoio da torcida.
A Taça Guanabara poderá ser o primeiro de vários títulos nos próximos anos. 

Um comentário:

  1. Concordo com vc amigo em alguns pontos, mas em outros não, por exemplo: O Botafogo, só chegou ao gol e ficou mais ofensivo após a saída do Rafael Marques e a entrada do Bruno Mendes. Sobre o Rafael Marques ja se tornou para o técnico Oswaldo, uma questão de horra provar pra nós torcedores o pq dele manter o atacante no time e então ele agora, no jogo contra o flamengo, na minha opinião fez sua melhor atuação, pricipalmente por ser um jogador bastante alto, tirou de cabeça uma bola no ataque do flamengo que poderia ter sido um gol, ai sim eu achei que o Oswaldo talves não estivesse tão errado assim, mas valeu achei ótimo esta matéria que vc postou.Saudações Botafoguense!

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