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O Botafogo estreou na Libertadores
enfrentando o Deportivo Quito na altitude do Equador. O Deportivo venceu por
1X0 e, agora, joga por um empate no Maracanã. O Botafogo precisa vencer por
diferença de 2 gols para ficar com a vaga. Se o Fogão vencer por 1X0, o jogo
irá para os pênaltis; se o Glorioso vencer por diferença de 1 gol, com o
Deportivo marcando, a vaga é do time equatoriano.
O Botafogo começou o jogo
visivelmente tentando se poupar para não sentir os efeitos da altitude. O
Deportivo aproveitou-se disso e tentou imprimir velocidade ao jogo para
conseguir marcar logo um gol. E, em um falha da zaga, principalmente de Dória,
que afastou mal uma bola, saiu o gol do time de Quito.
O placar, em si, não causa
preocupação. O Botafogo tem ampla possibilidade de conseguir um placar por
diferença de 2 ou mais gols jogando no Rio, onde o Deportivo não terá o auxílio
luxuoso da altitude. Com o Maracanã lotado e com a torcida incentivando, o
Botafogo pode inverter a vantagem dos equatorianos. O preocupante, entretanto,
é que o time não apresentou um bom futebol em Quito. Desentrosado e previsível,
o Botafogo teve o domínio do jogo durante a maior parte do tempo, mas não soube
transformar esse domínio em chances de gol. O time limitou-se a tentar chutes
de longe, quando tentou. O goleiro do Deportivo não fez nenhuma defesa difícil.
A defesa mais difícil foi em um chute de Ferreyra, mas o bandeira, erradamente,
havia marcado impedimento. Jefferson, ao contrário, fez, pelo menos, duas boas
defesas, uma logo no início do jogo, antes de o Botafogo tomar o gol.
Porém, o que não se pode fazer é o
que a torcida já começou nas redes sociais: o “já perdeu”! Ano passado, na
Libertadores, o Atlético-MG virou vários jogos em que saiu perdendo por 2X0. O
Botafogo perdeu apenas por 1X0. Esse pessimismo da torcida alvinegra, no
momento, não se justifica. O que o Glorioso precisa é de incentivo, não de
lamentações e cobranças com apenas um jogo. Pedir a saída do técnico Eduardo
Húngaro, como alguns torcedores já vêm fazendo, com apenas dois jogos com a
equipe titular – venceu um jogo e perdeu um –, mais do que pessimismo, é
idiotice. Ele ainda não teve chance de mostrar o que pode fazer. Lembremos que
o técnico Tite foi eliminado na pré-Libertadores, para o Tolima, perdendo por
2X0 em casa. A torcida pediu a cabeça do técnico, que depois foi campeão
paulista, da Libertadores e Mundial. É cedo para criticar um trabalho que teve
praticamente duas semanas para ser realizado.
Agora, não podemos negar o fato de
que o time perdeu peças importantes: Seedorf e Rafael Marques. Mas não tinha
como o Botafogo manter os dois jogadores. Seedorf teve a chance de ser técnico
em uma equipe de ponta, em termos mundiais. Se recusasse agora, poderia não ter
outra chance dessas tão cedo. Já Rafael Marques recebeu uma proposta que,
financeiramente, era irrecusável. A China tem dinheiro e os clubes estão
investindo forte em bons jogadores, seguindo o exemplo do que fez o Japão, que
fortaleceu seu futebol e depois sediou uma Copa do Mundo.
Time por time, entretanto, o
Botafogo é mais forte do que o Deportivo. No Maracanã, o Glorioso tem que se
impor desde o início, ao contrário do que fez no Equador, quando só tentou
jogar depois que levou o gol. Húngaro pensa em armar um time mais ofensivo para
esse jogo, o que pode aumentar o poderio de ataque da equipe.
Em vez de ficarem se lamentando
nas redes sociais, como alguns têm feito, a torcida do Botafogo, no jogo da
volta, deveria imitar o exemplo da torcida do Atlético-MG, que incentivou o
time mesmo quando as chances estavam todas contra o Galo.