Já virou rotina: time brasileiro,
quando perde, põe a culpa na arbitragem.
Isso ficou bem evidente na
Libertadores. O São Paulo, quando foi eliminado, colocou a culpa na Conmebol,
que havia suspendido o atacante Luís Fabiano por ter xingado o juiz, sendo
expulso após o jogo. Depois foi o Corinthians, que até hoje reclama da
arbitragem após ter sido eliminado pelo Boca Juniors. Agora, é a vez do
Fluminense. Após ter sido eliminado pelo Olímpia, do Paraguai, reclamou do
pênalti marcado contra ele, e de um suposto pênalti a seu favor, não marcado
pela arbitragem.
O que temos que avaliar é o
seguinte: será que um lance isolado pode ser responsável pela eliminação ou
classificação de um time? E o restante do jogo, onde é que fica?
Corinthians e Fluminense, por
exemplo, foram eliminados em um jogo de 180 minutos. Jogando na Bombonera,
campo do Boca, o Corinthians parece ter jogado para empatar. Foi um time
apático, que não fez praticamente nada durante o jogo inteiro, e acabou sendo
penalizado com um gol do Boca. Em São Paulo, teve que ir pra cima do Boca para
tirar a diferença. Levou um gol de Riquelme, o que complicou mais ainda sua
situação. Aconteceram lances polêmicos, sim, mas se o Timão tivesse feito sua parte
já na Argentina, marcando pelo menos um gol, a situação seria diferente quando
jogasse em casa.
O mesmo se aplica ao Fluminense.
Dominou o jogo que fez em São Januário, mas não conseguiu fazer gol no Olímpia.
Ao final do jogo, Abel Braga considerou o resultado como sendo bom, já que o
Flu não levou gol em casa. Só que perdeu no Paraguai e foi eliminado. Se
tivesse ganhado em casa, teria se classificado com o gol que fez no campo do
adversário.
O que fica bem evidente no futebol
brasileiro é que não sabemos admitir nossas falhas. Quando o time ganha, é o
melhor do mundo, os jogadores são craques, o esquema é excelente; quando perde,
o juiz roubou, o campo estava molhado, a chuva atrapalhou. O campo está molhado
para os dois times, assim como chove em cima dos dois. Quanto à arbitragem,
sempre ocorreram erros, mas antes não havia tantos recursos técnicos para tirar
a dúvida.
Isso nos leva a outro fato: a
imprensa esportiva, principalmente a televisão, tem uma grande parcela de culpa
nisso. Hoje em dia, crucifica-se o bandeira por não ter marcado um impedimento
de 5 centímetros (a ponta do pé do atacante estava à frente, portanto,
impedimento). Os especialistas em arbitragem, após assistirem ao replay por
diversas vezes, criticam os erros dos árbitros atuais. Porém, eles se esquecem
de que, quando eram árbitros, também cometiam erros grosseiros. É fácil
criticar alguém na comodidade das cabines de transmissão.
Os times precisam parar com essa
choradeira em cima da arbitragem toda vez que perdem. Os times reclamam de
lances marcados contra eles, mas se calam quando são beneficiados pelos erros
de arbitragem. O Corinthians, por exemplo, já ganhou um Campeonato Brasileiro
em cima do Internacional de Porto Alegre, quando este não teve um pênalti claro
marcado a seu favor. O Corinthians foi campeão e não criticou a arbitragem. Ao
ser eliminado da Libertadores, coloca a culpa na arbitragem, e não na sua
própria incompetência.
O Fluminense, ao invés de ficar
reclamando da arbitragem, devia tentar resolver seus problemas, pois há muito
tempo não vem jogando bem. Ganhou vários jogos fazendo um gol e depois recuando
para garantir o resultado.
O futebol brasileiro precisa parar
com essa reclamação em cima da arbitragem, e começar a admitir os seus próprios
erros.
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