segunda-feira, 13 de maio de 2013

O desprestígio dos Estaduais. Só dos Estaduais?


Os campeonatos estaduais têm recebido duras críticas devido ao fato de apresentar uma média de público muito baixa. Por exemplo, Flamengo X Resende, pela 1ª rodada da Taça Rio, contou pouco mais de 1.000 torcedores, enquanto Vasco X Nova Iguaçu recebeu um pouco mais de 700 torcedores. Devido ao aparente pouco interesse dos torcedores pelos Estaduais, muitos já têm defendido a extinção desse tipo de campeonato. Porém, vários fatores se combinam para justificar essa baixa presença de público.
Tomando o Campeonato Carioca como exemplo, temos o inchaço da competição, com dezesseis times. Temos poucos clássicos e muitos jogos de grandes contra pequenos. Além disso, devido à fragilidade dos times pequenos, normalmente os quatro grandes classificam-se às semifinais, que é quando o verdadeiro campeonato começa. Assim, os torcedores não veem motivo para gastar dinheiro com jogos que, praticamente, não valem nada. Além disso, quando um pequeno consegue se classificar eliminando um grande (o que ocorreu na Taça Rio desse ano, quando Volta Redonda e Resende se classificaram, eliminando Vasco e Flamengo), as semifinais não despertam interesse, já que os grandes que se classificaram, geralmente, conseguem passar pelos pequenos com facilidade e vão à final (como aconteceu na Taça Rio, quando Botafogo e Fluminense eliminaram Resende e Volta Redonda, por 5X0 e 4X1, respectivamente).  
A concorrência da televisão é outro motivo de desinteresse do público. É mais cômodo assistir aos jogos em casa, tranquilamente, em vez de ter que se deslocar aos estádios, enfrentando engarrafamento, falta de estacionamento, extorsão de “flanelinhas”, transporte público deficiente etc.
Um dos fatores apontados pelos comentaristas para a baixa presença de público, no Rio, é a ausência do Maracanã, alegando que o público não está “acostumado” ao Engenhão, além de que o estádio do Botafogo fica longe e possui difícil acesso. Porém, eles parecem se esquecer de que, mesmo na época do Maracanã, o público já era reduzido em vários jogos, inclusive clássicos. A falta do Maracanã, nesse caso, não serve como desculpa para a ausência do torcedor. Não são apenas os Estaduais que não atraem o interesse do público. Vemos jogos da Copa do Brasil e do próprio Campeonato Brasileiro com públicos ridículos, mesmo tendo jogos entre duas grandes equipes, com grandes torcidas.
Porém, é claro que os Estaduais possuem jogos que não têm validade nenhuma. Vejamos o caso do Campeonato Paulista.
O Estadual de São Paulo segue um modelo utilizado em Campeonatos Brasileiros antes do início dos pontos corridos. Todo mundo jogava contra todo mundo e, ao final, oito equipes classificavam-se para os mata-mata (a diferença era que, no Brasileiro, havia turno e returno, e o mata-mata era realizado em duas partidas; no Paulista, há apenas um turno, o mata-mata é só mata, ou seja, realizado em apenas uma partida, com a final tendo dois jogos). A diferença é que, no Paulista, temos apenas quatro grandes (Palmeiras, Santos, São Paulo e Corinthians) que, obviamente, irão classificar-se para o ‘mata’. No Brasileiro tínhamos, pelo menos, 12 grandes equipes brigando pelas oito vagas, o que tornava os jogos mais decisivos, pois cada ponto perdido podia ser fatal para as pretensões de uma equipe.
Além disso, neste formato que se inicia com pontos corridos e depois é decidido em mata-mata, o que acaba valendo mesmo são os jogos de mata-mata, e a torcida deixa para ir a estes jogos. Daí o esvaziamento nos clássicos disputados até agora em São Paulo e Rio de Janeiro.
O fato é que o brasileiro tem preferido assistir aos jogos de times europeus (principalmente da Champions). O alto preço dos ingressos afasta o público de baixa renda, que não tem dinheiro para comprar o ingresso e nem pode pagar uma mensalidade de sócio-torcedor; a violência, principalmente das ‘organizadas’, afasta as pessoas que querem apenas se divertir; a dificuldade em se conseguir um bom transporte público também é outro fator de desmotivação.     
Os campeonatos estaduais deveriam decidir-se por um dos formatos: ou realizam-se inteiramente no formato mata-mata ou, então, realizam-se no formato de pontos corridos. Assim, todos os jogos seriam decisivos e atrairiam uma maior presença de público, além de se poder organizar melhor o calendário, dando tempo para que os times fizessem uma pré-temporada decente.
Porém, não são apenas os campeonatos estaduais que levam público pequeno aos estádios. Até mesmo o Brasileiro tem apresentado públicos pífios, só aumentando o número de torcedores dos times que, quando o campeonato se aproxima do fim, estão brigando por título, Libertadores ou, em alguns casos, contra o rebaixamento.
A torcida do Botafogo é um bom exemplo: reclama que a diretoria não monta bons times para disputar os campeonatos. Contudo, quando o clube faz boas contratações, inclusive trazendo Seedorf, a torcida não comparece. Um grande número de torcedores foi ao aeroporto receber o craque holandês, mas nos estádios temos uma média que não chega a três mil torcedores por jogo. E, depois que o time é eliminado das competições (muitas vezes, por falta de um maior apoio da torcida), ela reclama que o time não ganha nada. A torcida quer o time ganhando todos os campeonatos que disputa, mas não se dispõe a apoiar o time para que ele possa conseguir isso.
Com a proximidade da Copa do Mundo, seria bom que a CBF, em vez de ficar apenas procurando jogos caça-níqueis para a Seleção Brasileira, procurasse tornar o Campeonato Brasileiro mais atrativo para o torcedor, para que pudéssemos ter estádios com grande público novamente.  

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