Os campeonatos estaduais têm
recebido duras críticas devido ao fato de apresentar uma média de público muito
baixa. Por exemplo, Flamengo X Resende, pela 1ª rodada da Taça Rio, contou
pouco mais de 1.000 torcedores, enquanto Vasco X Nova Iguaçu recebeu um pouco
mais de 700 torcedores. Devido ao aparente pouco interesse dos torcedores pelos
Estaduais, muitos já têm defendido a extinção desse tipo de campeonato. Porém,
vários fatores se combinam para justificar essa baixa presença de público.
Tomando o Campeonato Carioca como
exemplo, temos o inchaço da competição, com dezesseis times. Temos poucos
clássicos e muitos jogos de grandes contra pequenos. Além disso, devido à
fragilidade dos times pequenos, normalmente os quatro grandes classificam-se às
semifinais, que é quando o verdadeiro campeonato começa. Assim, os torcedores
não veem motivo para gastar dinheiro com jogos que, praticamente, não valem
nada. Além disso, quando um pequeno consegue se classificar eliminando um
grande (o que ocorreu na Taça Rio desse ano, quando Volta Redonda e Resende se
classificaram, eliminando Vasco e Flamengo), as semifinais não despertam
interesse, já que os grandes que se classificaram, geralmente, conseguem passar
pelos pequenos com facilidade e vão à final (como aconteceu na Taça Rio, quando
Botafogo e Fluminense eliminaram Resende e Volta Redonda, por 5X0 e 4X1,
respectivamente).
A concorrência da televisão é
outro motivo de desinteresse do público. É mais cômodo assistir aos jogos em
casa, tranquilamente, em vez de ter que se deslocar aos estádios, enfrentando
engarrafamento, falta de estacionamento, extorsão de “flanelinhas”, transporte
público deficiente etc.
Um dos fatores apontados pelos
comentaristas para a baixa presença de público, no Rio, é a ausência do
Maracanã, alegando que o público não está “acostumado” ao Engenhão, além de que
o estádio do Botafogo fica longe e possui difícil acesso. Porém, eles parecem
se esquecer de que, mesmo na época do Maracanã, o público já era reduzido em
vários jogos, inclusive clássicos. A falta do Maracanã, nesse caso, não serve
como desculpa para a ausência do torcedor. Não são apenas os Estaduais que não
atraem o interesse do público. Vemos jogos da Copa do Brasil e do próprio Campeonato
Brasileiro com públicos ridículos, mesmo tendo jogos entre duas grandes equipes,
com grandes torcidas.
Porém, é claro que os Estaduais
possuem jogos que não têm validade nenhuma. Vejamos o caso do Campeonato
Paulista.
O Estadual de São Paulo segue um
modelo utilizado em Campeonatos Brasileiros antes do início dos pontos
corridos. Todo mundo jogava contra todo mundo e, ao final, oito equipes
classificavam-se para os mata-mata (a diferença era que, no Brasileiro, havia
turno e returno, e o mata-mata era realizado em duas partidas; no Paulista, há
apenas um turno, o mata-mata é só mata, ou seja, realizado em apenas uma
partida, com a final tendo dois jogos). A diferença é que, no Paulista, temos
apenas quatro grandes (Palmeiras, Santos, São Paulo e Corinthians) que,
obviamente, irão classificar-se para o ‘mata’. No Brasileiro tínhamos, pelo
menos, 12 grandes equipes brigando pelas oito vagas, o que tornava os jogos
mais decisivos, pois cada ponto perdido podia ser fatal para as pretensões de
uma equipe.
Além disso, neste formato que se
inicia com pontos corridos e depois é decidido em mata-mata, o que acaba
valendo mesmo são os jogos de mata-mata, e a torcida deixa para ir a estes
jogos. Daí o esvaziamento nos clássicos disputados até agora em São Paulo e Rio
de Janeiro.
O fato é que o brasileiro tem
preferido assistir aos jogos de times europeus (principalmente da Champions). O
alto preço dos ingressos afasta o público de baixa renda, que não tem dinheiro
para comprar o ingresso e nem pode pagar uma mensalidade de sócio-torcedor; a
violência, principalmente das ‘organizadas’, afasta as pessoas que querem
apenas se divertir; a dificuldade em se conseguir um bom transporte público
também é outro fator de desmotivação.
Os campeonatos estaduais deveriam decidir-se
por um dos formatos: ou realizam-se inteiramente no formato mata-mata ou,
então, realizam-se no formato de pontos corridos. Assim, todos os jogos seriam
decisivos e atrairiam uma maior presença de público, além de se poder organizar
melhor o calendário, dando tempo para que os times fizessem uma pré-temporada
decente.
Porém, não são apenas os
campeonatos estaduais que levam público pequeno aos estádios. Até mesmo o
Brasileiro tem apresentado públicos pífios, só aumentando o número de
torcedores dos times que, quando o campeonato se aproxima do fim, estão
brigando por título, Libertadores ou, em alguns casos, contra o rebaixamento.
A torcida do Botafogo é um bom
exemplo: reclama que a diretoria não monta bons times para disputar os
campeonatos. Contudo, quando o clube faz boas contratações, inclusive trazendo
Seedorf, a torcida não comparece. Um grande número de torcedores foi ao
aeroporto receber o craque holandês, mas nos estádios temos uma média que não
chega a três mil torcedores por jogo. E, depois que o time é eliminado das
competições (muitas vezes, por falta de um maior apoio da torcida), ela reclama
que o time não ganha nada. A torcida quer o time ganhando todos os campeonatos
que disputa, mas não se dispõe a apoiar o time para que ele possa conseguir
isso.
Com a proximidade da Copa
do Mundo, seria bom que a CBF, em vez de ficar apenas procurando jogos
caça-níqueis para a Seleção Brasileira, procurasse tornar o Campeonato
Brasileiro mais atrativo para o torcedor, para que pudéssemos ter estádios com
grande público novamente.
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