Notícias do Botafogo
no twitter: @locospelofogao
A construção das novas Arenas, além de causar muita
reclamação e cobranças por parte da sociedade – pelo menos, daquela que se
preocupa com o que é feito com o seu dinheiro –, tem gerado um novo fenômeno
que vem afundar ainda mais os nossos já quase falidos clubes: a administração
de grupos privados em estádios outrora públicos, como são os casos do Maracanã
e do Mineirão.
Ambos os estádios acima citados tiveram que ser reformados
para a Copa de 2014, uma exigência da FIFA para que eles pudessem receber jogos
da Copa. Apesar de o nosso ex-presidente Lula ter afirmado que os investimentos
para a Copa seriam feitos pela iniciativa privada, estes estádios – assim como
as demais arenas, inclusive algumas pertencentes a clubes – foram reformados
com dinheiro público. Depois de feita a reforma, os referidos estádios passaram
para a iniciativa privada administrar.
Até aí, tudo bem. É reconhecida a incompetência dos
governos – federal, estaduais e municipais – para administrar qualquer coisa
que seja. Nas mãos da iniciativa privada, estes estádios poderiam ser melhor
administrados e cuidados. Porém, este processo apresentou várias
irregularidades, que não é objeto desta postagem e das quais, portanto, não
irei falar. Entretanto, os clubes, que são os grandes responsáveis pelo
espetáculo que chamamos “futebol”, acabam sendo prejudicados mais do que vêm
sendo nos últimos anos.
Vejamos o caso do Maracanã.
De acordo com o que foi divulgado, o consórcio fechou
contrato com Botafogo, Flamengo e Fluminense para que estes times mandem seus
jogos no estádio. Botafogo e Fluminense teriam direito à renda total do espaço
atrás de cada gol, enquanto o Consórcio ficaria com a renda dos lugares que
ficam nas laterais, por sinal, os lugares mais caros. Já o Flamengo fez um
acordo onde o valor da renda, depois de abatidos os encargos, seria dividido
meio a meio.
Acontece que, em ambos os casos, o Consórcio ganha um
dinheiro para o qual ele não contribui. Afinal, quem traz a torcida para o
estádio são os clubes, e não o Consórcio. E são os clubes que saem perdendo
dinheiro.
Vejamos um exemplo: no jogo entre Flamengo e Cruzeiro,
pela Copa do Brasil, a renda atingiu um valor acima dos 2 milhões de reais.
Deduzidos os pagamentos de praxe (taxa da Federação, iluminação, arbitragem
etc.), sobrou um pouco mais de 1 milhão e duzentos. Esse valor foi dividido
entre o Flamengo e o Consórcio, com cada um ficando com um pouco mais de seiscentos
mil reais.
É muito?
O Flamengo utilizará esse dinheiro, entre outras coisas,
para saldar os salários dos jogadores. Mesmo em contenção de despesas e
fechando contratos mais baratos, esse valor paga, no máximo, três ou quatro
jogadores. E o restante do elenco? Mesmo que o Flamengo realize 4 jogos no
Maracanã, não terá dinheiro para pagar todos os jogadores e comissão técnica, e
nem sobrará dinheiro para manter jogadores, em caso de investidas de clubes do
exterior, ou comprar jogadores para reforçar seu elenco. O mesmo raciocínio
vale para Botafogo e Fluminense. Só lembrando: o Botafogo perdeu Fellype
Gabriel, Andrezinho, Jadson e Vitinho; o Fluminense perdeu Wellington Nem e
Thiago Neves.
Além disso, há o mal explicado caso do Engenhão, cujos
problemas estruturais só foram detectados quando o Maracanã ia começar a
funcionar. Sem o Engenhão, os clubes ficaram sem opções de negociação, como o
Atlético-MG teve em Minas, fechando com o Independência. Até mesmo o Botafogo,
que utiliza o Engenhão, tem que se curvar ao Consórcio Maracanã e jogar no
estádio.
Uma observação: as pessoas que administram o Maracanã são
as mesmas que colocaram dinheiro na campanha do governador do Rio. Qualquer
semelhança será mera coincidência?
Depois reclamamos quando nossos craques são vendidos e
nossos clubes não podem fazer nada para segurá-los. Do jeito que a coisa está
sendo feita, os maiores responsáveis pelo espetáculo, que são os clubes, são os
que menos ganham. Temos clubes grandes praticamente falidos, cheios de dívidas,
à beira de fecharem suas portas.
Será que, algum dia, aprenderemos com os fortes clubes
europeus que, mesmo com o continente passando por uma recessão, têm dinheiro
para gastarem fortunas para contratar e pagar salários de jogadores? Clubes
contra os quais os brasileiros não conseguem competir, mesmo com o Brasil tendo
uma economia mais robusta?
Talvez, futuramente, sejamos obrigados a assistir a um
jogo entre Consórcio Maracanã de Futebol e Regatas X Consórcio Mineirão Futebol
Clube. Esses serão os únicos que terão dinheiro para contratarem jogadores. Já
Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco serão apenas lembranças de torcedores
mais velhos, assim como estes se lembram de Garrincha, Nilton Santos, Heleno de
Freitas e tantos outros craques com um toque de saudosismo.
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