sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Consórcios gerenciam estádios e clubes perdem dinheiro



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A construção das novas Arenas, além de causar muita reclamação e cobranças por parte da sociedade – pelo menos, daquela que se preocupa com o que é feito com o seu dinheiro –, tem gerado um novo fenômeno que vem afundar ainda mais os nossos já quase falidos clubes: a administração de grupos privados em estádios outrora públicos, como são os casos do Maracanã e do Mineirão.
Ambos os estádios acima citados tiveram que ser reformados para a Copa de 2014, uma exigência da FIFA para que eles pudessem receber jogos da Copa. Apesar de o nosso ex-presidente Lula ter afirmado que os investimentos para a Copa seriam feitos pela iniciativa privada, estes estádios – assim como as demais arenas, inclusive algumas pertencentes a clubes – foram reformados com dinheiro público. Depois de feita a reforma, os referidos estádios passaram para a iniciativa privada administrar.
Até aí, tudo bem. É reconhecida a incompetência dos governos – federal, estaduais e municipais – para administrar qualquer coisa que seja. Nas mãos da iniciativa privada, estes estádios poderiam ser melhor administrados e cuidados. Porém, este processo apresentou várias irregularidades, que não é objeto desta postagem e das quais, portanto, não irei falar. Entretanto, os clubes, que são os grandes responsáveis pelo espetáculo que chamamos “futebol”, acabam sendo prejudicados mais do que vêm sendo nos últimos anos.
Vejamos o caso do Maracanã.
De acordo com o que foi divulgado, o consórcio fechou contrato com Botafogo, Flamengo e Fluminense para que estes times mandem seus jogos no estádio. Botafogo e Fluminense teriam direito à renda total do espaço atrás de cada gol, enquanto o Consórcio ficaria com a renda dos lugares que ficam nas laterais, por sinal, os lugares mais caros. Já o Flamengo fez um acordo onde o valor da renda, depois de abatidos os encargos, seria dividido meio a meio.
Acontece que, em ambos os casos, o Consórcio ganha um dinheiro para o qual ele não contribui. Afinal, quem traz a torcida para o estádio são os clubes, e não o Consórcio. E são os clubes que saem perdendo dinheiro.
Vejamos um exemplo: no jogo entre Flamengo e Cruzeiro, pela Copa do Brasil, a renda atingiu um valor acima dos 2 milhões de reais. Deduzidos os pagamentos de praxe (taxa da Federação, iluminação, arbitragem etc.), sobrou um pouco mais de 1 milhão e duzentos. Esse valor foi dividido entre o Flamengo e o Consórcio, com cada um ficando com um pouco mais de seiscentos mil reais.
É muito?
O Flamengo utilizará esse dinheiro, entre outras coisas, para saldar os salários dos jogadores. Mesmo em contenção de despesas e fechando contratos mais baratos, esse valor paga, no máximo, três ou quatro jogadores. E o restante do elenco? Mesmo que o Flamengo realize 4 jogos no Maracanã, não terá dinheiro para pagar todos os jogadores e comissão técnica, e nem sobrará dinheiro para manter jogadores, em caso de investidas de clubes do exterior, ou comprar jogadores para reforçar seu elenco. O mesmo raciocínio vale para Botafogo e Fluminense. Só lembrando: o Botafogo perdeu Fellype Gabriel, Andrezinho, Jadson e Vitinho; o Fluminense perdeu Wellington Nem e Thiago Neves.
Além disso, há o mal explicado caso do Engenhão, cujos problemas estruturais só foram detectados quando o Maracanã ia começar a funcionar. Sem o Engenhão, os clubes ficaram sem opções de negociação, como o Atlético-MG teve em Minas, fechando com o Independência. Até mesmo o Botafogo, que utiliza o Engenhão, tem que se curvar ao Consórcio Maracanã e jogar no estádio.
Uma observação: as pessoas que administram o Maracanã são as mesmas que colocaram dinheiro na campanha do governador do Rio. Qualquer semelhança será mera coincidência?
Depois reclamamos quando nossos craques são vendidos e nossos clubes não podem fazer nada para segurá-los. Do jeito que a coisa está sendo feita, os maiores responsáveis pelo espetáculo, que são os clubes, são os que menos ganham. Temos clubes grandes praticamente falidos, cheios de dívidas, à beira de fecharem suas portas.
Será que, algum dia, aprenderemos com os fortes clubes europeus que, mesmo com o continente passando por uma recessão, têm dinheiro para gastarem fortunas para contratar e pagar salários de jogadores? Clubes contra os quais os brasileiros não conseguem competir, mesmo com o Brasil tendo uma economia mais robusta?    
Talvez, futuramente, sejamos obrigados a assistir a um jogo entre Consórcio Maracanã de Futebol e Regatas X Consórcio Mineirão Futebol Clube. Esses serão os únicos que terão dinheiro para contratarem jogadores. Já Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco serão apenas lembranças de torcedores mais velhos, assim como estes se lembram de Garrincha, Nilton Santos, Heleno de Freitas e tantos outros craques com um toque de saudosismo. 

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