Após o jogo entre Botafogo X
Madureira, com uma atuação desastrosa do juiz com nome inglês, uma pergunta se
impõe: quem é a autoridade máxima do futebol? A regra ou o juiz?
O juiz e seus auxiliares já
começaram o jogo provocando uma “lambança”. Seedorf recebeu uma bola em
completo impedimento, porém, nem o árbitro, nem o bandeira e nem o quarto
árbitro assinalaram o impedimento do jogador do Botafogo. Seedorf recebeu a
bola, se posicionou, esperou a entrada de Rafael Marques e só então fez o passe
para o atacante, que entrou na área e foi derrubado. O juiz titubeou um
instante, antes de marcar o pênalti, que realmente existiu. Os jogadores do
Madureira reclamaram, mas o árbitro ignorou-os e manteve a decisão. Seedorf
pegou a bola e se posicionou para fazer a cobrança. O árbitro retirou todos os
jogadores da área e, quando estava para autorizar a cobrança, foi até a marca
do pênalti, pegou a bola e levantou o braço indicando impedimento. Um minuto e
quarenta segundos depois.
A imagem da tevê mostrou que o
impedimento de fato ocorreu. Portanto, o juiz agiu corretamente ao voltar
atrás. Contudo, o que causou estranhamento foi a demora em tomar a decisão. Chegou-se
a dizer que o lance teria sido acusado pelo quarto árbitro. Porém, se foi isso
o que ocorreu, a decisão teria sido tomada antes, não demorando tanto tempo
para o árbitro voltar atrás. A impressão que deu foi a de que a informação do
impedimento de Seedorf veio de alguém que estava assistindo ao jogo pela
televisão e utilizou-se do replay para perceber e informar sobre o lance.
Porém, longe de acabar, o pior
ainda estava por vir. Quando faltava menos de um minuto para o término do jogo,
Seedorf ia ser substituído por André Bahia. Porém, como Cidinho estivesse
machucado, Oswaldo de Oliveira mudou a alteração, colocando André Bahia no
lugar de Cidinho. O árbitro não percebeu a mudança na alteração e quis que
Seedorf saísse pelo lado contrário ao da entrada de André Bahia. O jogador do
Botafogo quis sair pelo lado no qual o companheiro iria entrar, talvez para lhe
passar alguma instrução, e solicitou ao árbitro que acrescentasse o tempo de
sua saída. O juiz, querendo aparecer mais do que a estrela do jogo (e do
campeonato), deu cartão amarelo para Seedorf. Sem reclamar, Seedorf saiu
correndo, indicando que não queria atrasar o reinício do jogo, a famosa “cera”.
Pressionado por um dos jogadores do Madureira, que praticamente “peitou” o
árbitro, este correu em direção a Seedorf e aplicou o segundo cartão amarelo e,
consequentemente, o cartão vermelho.
Ficou claro que faltou bom senso
ao árbitro. É bastante comum vermos jogadores saírem do campo lentamente, mesmo
quando instados pelo juiz para saírem mais rápido. Além disso, vários
jogadores, percebendo que serão substituídos, se jogam ao chão simulando
contusão, saindo apenas após a entrada da maca, e não são punidos pela “cera”.
Alguns árbitros intimidam-se
quando têm de encarar jogadores famosos; outros aproveitam para terem os seus
quinze minutos de fama. O que foi o caso do juiz Philip Georg – um brasileiro
com um pomposo nome inglês. Ele quis aparecer às custas do astro holandês e viu
naquele lance a sua grande chance.
Isso nos remete à pergunta feita
no título desta postagem: quem é a autoridade máxima do futebol: a regra ou o
árbitro?
Muitos árbitros se julgam a maior
“autoridade” em campo. Na verdade, o árbitro está ali apenas para aplicar a
regra – esta sim, a maior autoridade do futebol. Os cartões amarelo e vermelho
foram criados para punir desobediências graves à regra do jogo, e não para que
um juiz resolva aparecer mostrando que é ele “quem manda” dentro de campo. Até
porque, não é. Quem manda é a regra, e o juiz só tem de aplicá-la (nem sempre
de maneira correta, convenhamos!). Porém, errar é algo natural, principalmente
quando se tem poucos segundos para decidir sobre um lance. Agora, querer
aparecer em cima da fama de um jogador não faz parte da regra.
Quem deveria ser punido com
um cartão vermelho que o afastasse por um bom tempo dos campos é esse juiz com
nome pomposo. Provavelmente, o futebol ficaria bem melhor sem ele.
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