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O meia Seedorf, participando do
programa “Redação Sportv”, reclamou da ausência da torcida nos jogos decisivos
do Botafogo nesta reta final do Campeonato Brasileiro, afirmando que a torcida
ajuda a empurrar o time. No mesmo programa, em outro dia, o jornalista Arthur
Dapieve, respondendo a Seedorf, disse que a torcida vem sendo usada como “bode
expiatório” para administrações incompetentes.
Discordo da opinião do jornalista
citado, pois me parecem levianas as afirmações que ele fez no programa,
principalmente levando-se em conta que os jornalistas esportivos – incluindo o
próprio Dapieve – “derretem-se” diante de um Maracanã lotado de torcedores
rubronegros, afirmando que a presença dos torcedores “empurra” o time do
Flamengo. Vemos vários jornalistas praticamente exortando a torcida
flamenguista a comparecer ao estádio para “empurrar” o time. Agora, quando se
trata do Botafogo, pedir a participação da torcida é jogar para a torcida o
peso de más administrações. Parece-me que, neste caso, o jornalista citado
utilizou dois pesos e duas medidas para avaliar a importância da torcida para
incentivar um time.
Quando os jogadores, comissão técnica
e diretoria reclamam da ausência do torcedor botafoguense dos estádios, nada
mais estão fazendo do que confirmar algo que vem acontecendo há décadas. O
Botafogo tem uma torcida extremamente exigente, que cobra os jogadores, exige
títulos e quer grandes jogadores no time, mas que não faz a sua parte
comparecendo ao estádio para incentivar a equipe a conquistar os títulos que
ela tanto exige.
A torcida cobra do Botafogo um
título de Copa do Brasil. No entanto, quando o Botafogo disputou o jogo da
volta, contra o Flamengo, o Maracanã estava lotado de rubronegros, enquanto um
pequeno espaço acomodava os torcedores alvinegros. Não parecia um clássico, e
sim o jogo de um time grande contra um pequeno, que possui torcida pequena. Que
estímulo se pode esperar de um jogador ao disputar um jogo no qual a sua
torcida não comparece? Será que o jornalista Arthur Dapieve teria estímulo em
escrever uma reportagem que seria lida por meia dúzia de torcedores, em um
jornal de pequena circulação? Creio que não.
Além disso, em nenhum momento ouvi
qualquer integrante do Botafogo colocando, na torcida, a culpa pelos maus
resultados. Eles apenas pedem mais apoio para que o time consiga o objetivo de
disputar a Libertadores, objetivo este que não é apenas dos jogadores, mas também
de sua torcida.
Torcida não ganha jogo, mas ajuda
a “empurrar” o time, além de, em alguns casos, intimidar a equipe adversária. O
que o Botafogo conquistou até aqui, neste Campeonato Brasileiro, o fez apoiado
na hombridade e no compromisso dos jogadores, que não relaxaram nem mesmo
quando estavam com os salários atrasados, mantendo a equipe no G4 em 29 das 32
rodadas disputadas (sendo 28 rodadas consecutivas). E isso contando com
públicos ridículos, que colocam o Botafogo na 12ª posição em média de público,
sendo o pior carioca neste quesito, atrás de Vasco e Fluminense, que estão
brigando contra o rebaixamento, e do próprio Flamengo, que passou o campeonato
inteiro brigando para não cair, respirando apenas nas últimas rodadas.
Os jornalistas que “exaltam”
o Maracanã lotado de rubronegros empurrando o time, deveriam ser os mesmos a
cobrarem da torcida do Botafogo uma maior participação, principalmente quando o
time vem fazendo uma excelente campanha. Mas parece que, para parte da
imprensa, o que vale para o Flamengo não vale para os demais clubes.
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