Na última rodada do Brasileirão,
Botafogo e Flamengo atuaram como mandantes dos seus respectivos jogos. O
Botafogo mandou seu jogo em Pernambuco, enquanto o Flamengo mandou o jogo em
Brasília. Mesmo sendo mandantes, as duas equipes tiveram que viajar para
realizar as partidas. Com o Engenhão interditado e sem chegar a um acordo com o
consórcio que administra o Maracanã, Botafogo, Flamengo e Fluminense ficaram sem
estádio para mandar seus jogos. Por isso, os times tornaram-se equipes
itinerantes, tendo que atuar em estádios de outras cidades.
Ao que parece, o consórcio que
administra o Maracanã fez propostas que não agradaram aos três clubes e, por
isso, ainda não chegaram a um acordo. A verdade é que o Consórcio Maracanã não
cometeu o mesmo erro que o consórcio que administra o Mineirão. O Cruzeiro
fechou com o Mineirão, mas o Atlético-MG não concordou com as condições
oferecidas e optou por mandar seus jogos no estádio Independência, onde poderia
arrecadar mais.
No Rio, o Maracanã teria apenas
Flamengo e Fluminense como clientes, uma vez que o Botafogo mandaria seus jogos
no Engenhão e o Vasco, em São Januário. Além disso, se Fla e Flu não
concordassem com as condições do Maracanã, poderiam acertar com o Botafogo e
continuar mandando seus jogos no Engenhão. Providencialmente, entretanto,
“apareceu” um problema no Engenhão e o estádio ficará interditado por 18 meses.
Assim, Flamengo, Fluminense e o próprio Botafogo não teriam outra opção a não
ser atuar no Maracanã. O consórcio pensou que poderia impor suas condições e os
clubes teriam de aceitá-las.
Os três times não fizeram isso,
mas agora estão pagando o preço. Os três estão mandando seus jogos fora de
casa, tendo que enfrentar viagens seguidas. Com o desenrolar do campeonato,
essas viagens cobrarão o seu preço e os jogadores sentirão o desgaste. Então,
ou fecham com o Maracanã ou correm o risco de apenas cumprir tabela no
Brasileirão.
Muito significativa a interdição
do Engenhão exatamente por ocasião da reabertura do Maracanã. O que mais estranha
neste caso, porém, é o silêncio da diretoria do Botafogo, que perdeu os
recursos que obtinha com o estádio e, mesmo assim, aceitou tudo
silenciosamente, numa paciência de monge budista. O que a diretoria deveria
fazer seria acionar a Prefeitura do Rio ou a empresa que construiu o estádio e
cobrar uma indenização pelas receitas que deixará de arrecadar neste período.
Ao não fazer isso, enfrenta uma crise financeira, tendo que se desfazer de seus
principais jogadores para poder ter dinheiro para quitar dívidas.
Enquanto isso, o Botafogo seguirá
sendo visitante em todas as partidas, mesmo nas que seria o mandante. Fará
viagens seguidas e, além disso, aumentará suas despesas com passagens e hotéis,
quando não teria esse problema caso atuasse no Rio.
O prejuízo financeiro é grande e a
situação compromete o desempenho da equipe no campeonato. E, enquanto isso
acontece, a diretoria do Botafogo segue fingindo-se de morta.
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